Obs.: Clique e leia o poema em vídeo.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.
Aqui cumpro uma das minhas missões: ser criativo pela escrita. Escreverei muito, sobre qualquer assunto que me der na telha... Sem nostalgia, mais sobre a minha infância e juventude em ANGOLA, o país onde nasci... Contudo, eu não vivo o passado, nem vivo no passado... EU VIVO O PRESENTE E NO PRESENTE! A verdade é que me deslumbro continuamente com as boas lembranças que trago na memória e esqueço de me ressentir das que nunca terei!
Obs.: Clique e delicie-se com o filme do passeio pelos lugares míticos de partida e chegada dos navegadores portugueses que deram novos mundos ao mundo, nos séculos XV e XVI.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.
Retornar à Mãe-Pátria e aos lugares que me moldaram a Alma Lusa é o tema do poema em vídeo que vos apresento.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.
Assista o vídeo realizado por mim com o fado "Gosto de ti porque gosto" na voz da fadista Maria Emília da Casa de Fados Caldo Verde, no Bairro Alto, Lisboa.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.
Após a inspiração nos cafés mais frequentados pelos poetas maiores Bocage e Fernando Pessoa, rumámos ao Largo Camões e às ruelas do Bairro Alto, onde na Casa de Fados "Caldo Verde" sorvemos as delícias do fado e da culinária portuguesa. Acompanhe as imagens do filme ao sabor do fado. Resta-nos repetir o fadista:
Bairro Alto com seus amores tão delicados
quis um dia dar nas vistas
e saiu com os trovadores mais os fados
para fazer suas conquistas...
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.






Na Guiné-Bissau, os assassinatos do Chefe das Forças Armadas, no domingo, e do Presidente da República, em retaliação, demonstraram que a ação política se mistura frequentemente em África com a selvageria. Realmente, não houve em Bissau um golpe de estado como algumas notícias chegaram a difundir, antes, um acerto de contas entre duas quadrilhas – a do presidente e a do chefe da tropa.
Hoje, a Guiné-Bissau é o quinto na lista dos países mais pobres do planeta. Seu principal produto oficial é a castanha-de-caju, mas a verdadeira riqueza está na utilização do país como entreposto para a cocaína que flui da América do Sul para a Europa e também para a heroína que a Ásia exporta para os Estados Unidos. O tráfico de drogas já deu à Guiné-Bissau um título inédito, revelado em relatório de 2009 do Departamento de Estado americano: o de primeiro narcoestado do planeta. Efetivamente, a Guiné-Bissau é somente uma nação ou um país sem Estado, portanto, sob o domínio completo do caos político e social, embora a imprensa portuguesa e angolana se esforce por fazer crer o contrário.
Na outra costa africana, a Somália é a primeira colocada na lista dos países falidos, uma terra miserável, sem lei, nem governo. Em sua maioria, a população é nômade e pastoril, sob a ameaça contínua da fome. Três milhões de somalis – cerca de 40% da população – dependem totalmente da ajuda humanitária internacional para sobreviver. O país tornou-se independente em 1960, bem antes da auto-proclamação da independência da Guiné-Bissau em 1973, todavia desde 1991, não conhece o que é um governo central. O território somaliano foi distribuído por clãs e grupos rivais. Agora, o sul está nas mãos de milícias islâmicas inspiradas no Talibã e duas províncias do norte se declararam estados independentes, embora não sejam reconhecidos por nenhum país. Forças da ONU e da União Africana em missão de paz não se arriscam a ultrapassar os limites da capital, Mogadíscio.
A Somália tem atualmente como sua principal atividade econômica a pirataria, podendo ser classificado como um estado pirata, à semelhança dos antigos estados piratas da costa berbere – Marrocos, Argélia e Tunísia – por três séculos, até 1830, quando a França conquistou a Argélia. O litoral da Somália é a região do mundo mais perigosa para a navegação marítima, concentrando um terço de todos os ataques de piratas efetuados no mundo. No início, os piratas somalis eram pescadores que encontraram na pilhagem ainda incipiente uma oportunidade de riqueza fácil; depois, empresários e políticos locais entraram com o dinheiro para a compra de barcos e armas em troca de uma parcela do lucro; agora, os piratas emprestam dinheiro e financiam os senhores de guerra na Somália.
Eyl e Harardere são as duas principais cidades que servem de base para as operações de pirataria somaliana; nelas, os piratas desfilam em carrões e mandam construir mansões com vista para o mar. O lucro da pirataria é altíssimo. Em 2008, os piratas somalis faturaram 150 milhões de dólares em resgates – dez vezes o total de doações internacionais recebidas pela Somália. Em suma, a ostentação pirata contrasta com a pobreza geral do país.
A maior ironia sobre a Guiné-Bissau e a Somália é que elas são exemplos acabados das últimas consequências da aplicação do "socialismo científico" em África, com regimes pró-soviéticos que se instalaram nesses países por mais de 20 anos após a tão almejada independência dos seus colonizadores europeus.


O Manuel das Curvas ou “Manel das Curvas” era uma das figuras mais castiças da nossa aldeia do Katofe. Digamos que sem ele o Katofe seria uma incompletude iconográfica. Ele certamente era um dos principais responsáveis pela imagem predominante do Katofe que se gravou na mente de um camionista que parava frequentemente num dos bares para almoçar e que atirou a seguinte máxima:
- Quando se passa durante a semana no Katofe quase não se vêem açorianos, mas no domingo ou durante as Festas do Espírito Santo, principalmente, quando há uma briga com alguém de fora, eles parece que saem do meio do capim como se fossem chineses.
Realmente, o Manel das Curvas era um daqueles que, à semelhança do Sete Orelhas, “pagava um boi para não entrar na briga e uma boiada para não sair”, sobretudo quando vislumbrava alguma oportunidade de atuar como justiceiro, todavia sem chegar ao extremo de arrancar as orelhas dos adversários, pois ele achava que pegar qualquer instrumento além dos próprios punhos para dirimir as desavenças era lutar “à falsa fé”, para usar a sua própria expressão. Outra atitude que ele designava por falsa fé era um dos contendores iniciar a luta de repente sem uma troca de palavras preparatórias ou algum ritual prévio que usava desde as lutas de escola, que era, por exemplo, passar a ponta do indicador na ponta do nariz do outro.
O Manel das Curvas recebera o nome de batismo de Manuel Vitorino Nunes, na sua freguesia do Topo, na Ilha de S. Jorge, Açores. O apelido vinha-lhe dos primeiros tempos de Angola, dado por açorianos e kimbundus, que se divertiam ao vê-lo dar as primeiras andanças de bicicleta em curvas sucessivas, para um lado e para outro, para assegurar o equilíbrio em avanço lento. Quando chovia, as poças que predominavam nas principais ruelas do Katofe, tornavam a observação do Manel da Curvas no domínio da bicicleta ainda mais divertida. Com o tempo ele se tornou um exímio ciclista como todos os açorianos que na sua chegada ao Katofe adotaram a “chica”, como se dizia em Angola, por parceira preferida de viagem.
O Manel das Curvas tinha um nariz adunco, usava o cabelo apartado com um risco à direita e penteava para cima e para a esquerda as melenas com brilhantina ou bem molhadas e untadas levemente com sabão, para não caírem. Quando a franja secava, então, ficava solta ligeiramente para a esquerda e a encobrir parte da testa. Na frente das orelhas, o cabelo bem aparado crescia para baixo em patilhas ou suíças que certamente acertava frequentemente com o aparelho de barbear. O rosto era assimétrico e contribuía para destacar essa característica o afundamento de uma das maçãs do rosto, relativamente à outra, com certeza, como recordação de uma das suas lutas menos gloriosas. A completar a descrição dos traços mais marcantes que me pairam na memória, resta a boca ligeiramente torta, com um canto mais rebaixado, quiçá pelo hábito de manter ali um cigarro quase sempre aceso. Das suas marcas que mais me comoviam era ouvi-lo falar da sua filha mestiça que procurava proteger com muito carinho e que chegou a levar para Portugal, na sua saída de Angola, em 1975.
O Manuel gostava de recordar algumas das suas lutas e render aos adversários as homenagens que ele achava mais merecidas. Uma das descrições mais divertidas de ouvir era a que ele fazia de uma luta que teve com o Mendonça; estavam a construir uma ponte perto da chitaca do tio, António Vitorino Nunes, quando se travaram de razões, mas considerou a luta empatada porque conseguiu derrubar o adversário no chão, mas ao tentar esmurrar-lhe a cabeça, “o Mendonça driblava os murros como se fosse um melro ou um tintilhão”, os pássaros que ele mais recordava dos tempos de infância, que tremulavam a cabeça para um lado e outro, alternadamente. Disse que no mesmo local lutou com o Velho Ernesto Faustino, mas a batalha teve que ser suspensa porque conseguiu colocar o adversário dentro do riacho e este teve um princípio de “congestão”. Aliás, o Manel das Curvas gostava de afirmar à boca cheia, para quem quisesse ouvir, que não tinha medo de nenhum Pascoal (Faustino), apesar dos Pascoais serem afamados em luta desde os tempos de juventude na Ilha de S. Jorge, porque sempre que lutou com um Pascoal este sempre batia primeiro “à falsa fé”. Esta declaração valeu-lhe depois uma dura punição, como se verá mais adiante.
A luta que assisti por inteiro do Manel das Curvas foi com o Rabaça. À época o Rabaça, um rapaz beirão, chegado há pouco tempo de Portugal, trabalhava na loja nos baixos da casa do Velho Kimbaça, o Sr. Emílio Dias. A loja do meu pai ficava bem ao lado. Acontece que o Manel das Curvas estava na nossa loja e viu que o ajudante do Rabaça conseguiu persuadir uma cliente que já estava a trocar o seu milho na nossa loja a se mudar para a loja do lado. Então, o Manel das Curvas não achou essa atitude do rapaz muito elegante e avisou o Rabaça que iria ajustar as contas com o rapaz no fim do serviço, pois já era fim de tarde. Ocorreu que o ajudante do Rabaça conseguiu escapar para a sanzala no fim do serviço ou antes, sem ser visto pelo Manel das Curvas. No fim do expediente, estava montado o cenário completo para o Manel das Curvas ajustar as contas com o próprio Rabaça que foi acusado de encobrir a fuga do seu ajudante.
O Manel esperou que o Rabaça fechasse a loja e chamou-o para conversar na eira, na frente da casa do Sr. Emílio. No meio da discussão, o Manel começou a passar a ponta do indicador na ponta do nariz do Rabaça e este iniciou a luta atirando-se ao desafiante como se fosse um galo de briga. Após a troca de uns murros e rasteiras, com o Rabaça dominado debaixo do Manel, entrou em ação a turma do deixa disso e o Rabaça acabou com uns leves arranhões e um pequeno hematoma no rosto. Então, com os dois em pé, um de frente para o outro, o Manel disparou a sua sentença final:
- Isto é só para tu saberes que um estransmontano nunca brinca com um açoriano! Ouviste Lambáça?
Quando recordo essa luta do Manel das Curvas, nunca deixo de rir, principalmente, por causa daquela declaração final que ficou gravada definitivamente na minha memória. Uns meses depois na hora da missa, no bar do Branco, onde o Rabaça foi trabalhar, o Manel fez com ele as pazes.
Em certo baile na Casa do Espírito Santo, o Manel das Curvas resolveu aparar umas arestas com um pessoal de fora da terra... A dado momento, eu vi o Velho João Faustino vir em disparada, o Manel das Curvas tentou fugir por uma das saídas do recinto que dava para um corredor, mas encontrou a porta fechada; o Velho João Faustino disparou no Manel uns canhotos certeiros, até que este se desvencilhou debaixo e conseguiu escapar para a rua, algo contundido. No domingo seguinte, vimos o Manel com o braço direito pendurado com uma faixa branca e alguém lhe disse:
- Ó Manel, hoje, vieste á missa de gravata?!
- Nunca nenhum Pascoal me bateu que não fosse à falsa fé – respondeu o Manel das Curvas, que continuou fiel à sua tese sobre a bravura dos Pascoais.
Na continuidade da conversa, o Manuel das Curvas resolveu filosofar como um velho que conhecera no Topo, segundo a sua habitual tirada:
- O que interessa é acordar com os pés quentes...
A verdade é que numa das minhas visitas aos Açores, bem antes de vir para o Brasil, soube que o Manuel das Curvas abatido pela tristeza do exílio africano na sua freguesia natal, logo após a descolonização, resolveu desistir de acordar com os pés quentes e enforcou-se. Triste sina de um amante da luta que desistiu de lutar pela vida...
Viram que reduzi os meus textos a um único blog... Por que razão? Porque a missão superior de me expressar literariamente é única; vem de uma única fonte, um único despertar, embora muito díspar ou multifacetada, que tem por fim último manifestar as forças criadoras da vida como espelho natural da minha íntima essência sobre a qual procuro me erigir, criando em mim um estado silente de paz e maturidade. Assim, busco continuamente o meu aperfeiçoamento porque não me acho perfeito, mas sou infinitamente perfectível.
Aqui, me sinto profundamente seguro porque – como Clarice Lispector – assumo a consciência que “a palavra é meu domínio sobre o mundo”. Como ela, “enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”, essencialmente, para encontrar em mim e não fora de mim a verdade que me faz ser teimoso em viver, que me faz caminhar com um sentido, pois sempre quis inventá-lo com a minha verdade. Por isso, e nada mais, nunca aceitei a limitação escravocrata de meramente sobreviver mediante uma “verdade inventada” por outros que pretendem tornar o meu existir passível de ter algum outro sentido, como se fosse fácil me alienar em marionete servidora de interesses inconfessáveis.
E, se você, caro leitor que contempla as minhas letras, as considerar fracas, banais e sem sentido? A essa pergunta resta responder fazendo minhas as palavras do nosso maior poeta-filósofo dos últimos tempos:
“Saber que será má a obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. Essa planta é a alegria dela, e também por vezes a minha. O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns bons momentos de distração de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou me não basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida”.(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, 14). “Conquistei, palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu. Reclamei, espaço a pequeno espaço, o pântano em que me quedara nulo. Pari meu ser infinito, mas tirei-me a ferros de mim mesmo”.(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, 15).
Aqui, procuro tirar-me “a ferros de mim mesmo”, parir meu “ser infinito”, conquistar “palmo a pequeno palmo, o terreno interior que nascera meu”... Quero aqui cultivar a “planta mesquinha no vaso único”da minha essência vizinha para doar-vos, a vós leitores, “uns bons momentos de distração”, o que “tanto me basta”... De vez em quando, jogo aqui uma pedra no pântano da minha zona de conforto que sempre tenta a quedar-me nulo.
Este é o meu exercício contra a solidão; para mim, esta tem pouco a ver com o número de pessoas que me rodeia, pelo contrário, só depende da minha distância de mim mesmo. A minha alma de tímido só consegue se libertar na solidão da escrita. Sempre fui assim. Eu sou a melhor companhia de mim próprio quando escrevo. Todos os que comigo conviveram pessoalmente sabem que sou sincero nisto. Gosto de ficar só... Confesso que normalmente sou tímido e introspectivo porque tenho medo de ser submergido pelo amor excessivo dos outros. Desculpem eu ser eu! Sou bem esquisito, a ponto de eu próprio me achar estranho! Você vai aprender a respeitar-me ao ler-me, porque foi pela escrita que eu me vi obrigado a me respeitar. A escrita é para mim uma catarse – do grego “kátharsis"= "purificação" – limpeza pessoal dos demônios internos e externos que querem me derrubar... Quando esses entes maléficos dão a entender que não há lugar para mim na terra dos homens, onde me converto em ser que nem mesmo eu me suporto, então, por sobrar sozinho, busco refúgio na novidade criativa da escrita, na cascata silenciosa de palavras sempre novas, com quem posso conversar sem contar os minutos... Com elas e por elas, simbolicamente, morro e renasço sucessivamente...
Seja em prosa ou verso, escrevo muito do passado. Já houve pessoas que me escreveram para me chamar a atenção de que isso pode ser prejudicial para mim, me impedir de viver bem no presente e no futuro. Refleti muito sobre isso e cheguei à mesma conclusão de Albert Einstein: “a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”. Em particular, sobre o meu passado angolano, eu sinto sem saudosismo que “o que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre”(Johan Goethe). Portanto, a luz que um dia se acendeu em mim continua em mim. É presente e não passou, antes, permanece para sempre.
Claro que a vida só se vive para diante, mas só se compreende mediante um retorno ao passado, como salientou Soren Kiergaard. Que mal há em recordar o que de melhor existiu na minha vida passada? Com isso consigo compreender o que de melhor há em mim. Então, que mal há nisso?
Concentro atenção e máximo cuidado em lembrar o passado com gratidão, para que possa alegrar-me com o presente e encarar o futuro sem medo, numa visão bem epicurista de obter estados moderados de prazer, tranquilidade e libertação. Isso é vida e beleza e o que é vivo e belo em nós não se perde, porque a vida vai sempre em frente para a eternidade. Não lembro o passado com saudade e melancolia, porque tudo o que fui mais puro de mim no passado prossegue em mim. Como dizia Marguerite Yourcenar, “quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como se sobreviveu na memória humana”. Não sou nada dado a saudades e melancolias! Quiçá, por isso nunca quis voltar a Angola desde que saí de lá, em 1975, apesar de ter tido alguns convites para fazê-lo...
O grande pai da psicologia Carl Gustav Jung disse que “a vida é a história de um inconsciente que se realizou”. É bom escrever sobre o passado como se fosse um romance, porque o verdadeiro historiador é o romancista do passado e não um simples colecionador de datas e documentos. Como disse Goethe, a melhor maneira de se livrar do passado é escrever a sua história. Um dia cada um de nós será apenas uma memória longínqua... É importante alguém escrever a história de S. Jorge do Catofe, em crónicas e narrativas. Muitos descendentes de catofianos, senão, os próprios, se edificarão com esses escritos porque, como diz Isaiah Berlin, em “Uma Mensagem para o Século XXI”:
“Somente os bárbaros não têm curiosidade em saber de onde vieram, como chegaram a ser o que são, aonde parecem estar indo, se desejam rumar nessa direção e, se querem, por quê, e, se não, por que não”.
Só os defensores da barbárie, a que grassou nas savanas do Catofe em 1975, os mercadores da morte e do medo, podem ter interesse em que não se fale das coisas belas que os açorianos ali erigiram como um marco para a eternidade. Os descendentes dos Catofianos – açorianos do Catofe – sentirão muito orgulho e altivez pelos feitos dos seus antepassados e verificarão nas suas próprias vidas, na Europa ou na América, que o seu futuro mais brilhante está alicerçado num passado intensamente vivido em terras feiticeiras de África.
Será que os meus escritos sobre o Catofe evocarão perdas que penalizarão alguns catofianos? Eu penso que não. Sobre as perdas materiais, eu tenho verificado que praticamente todos os catofianos adotaram uma visão filosófica bem estoica.
Aos amantes do “politicamente correto”, que leem os meus rabiscos com olhar crítico de condenação, devo responder que ser feliz me absorve totalmente, por isso, não tenho tempo para mais nada. Essa a explicação para o bloqueio aos comentários de leitores. Certamente, encontrarão o meu e-mail nas tertúlias da internet, porém, desde já advirto, quaisquer críticas ou agressões serão apagadas imediatamente, portanto, não merecedoras de qualquer resposta. Respeito todas as opiniões, por isso, não me interesso por discutir opiniões; na filosofia de Fernando Pessoa, de quem sou um deslumbrado admirador, “ter opiniões é não sentir”e “sentir é criar”, “sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias”. Em conclusão, só escrevo sobre o que sinto e só quero receber escritos de quem sente e compreende o Universo comigo.
Um grande abraço do